Foi lançada nesta segunda-feira, 5, a primeira plataforma de financiamento coletivo voltada exclusivamente para o mercado editorial brasileiro. A Bookstorming, startup idealizada por quatro jovens do Rio de Janeiro, pretende transformar a experiência da compra do livro no país ao trazer para o mercado editorial a ferramenta do crowdfunding. A ideia, que já funciona com sucesso nos Estados Unidos e na Europa, é dar aos leitores o poder de apostar nos livros em que acreditam e que, no processo tradicional de edição, talvez nunca viessem a ser lançados.

"Nós estamos alterando a ordem de produção do livro", afirma a carioca Raquel Maldonado, cofundadora. "Hoje, só existe uma forma de comprar um livro: ir até a livraria e escolher um dos lançamentos. O que fazemos é usar o poder de difusão da internet e convidar o leitor a participar da produção desde o início, quando o livro ainda nem existe. Se acreditar no projeto, ele paga por ele e pode interferir em várias etapas de edição. No fim, recebe em casa um livro exclusivo, que ajudou a criar".

Como acontece em outros tipos de crowdfunding, o livro só começa a ser produzido se um mínimo de apoiadores for atingido no prazo estipulado pela campanha. Caso esse número não seja alcançado, os apoiadores recebem o dinheiro de volta. Isso elimina o risco financeiro da produção do livro e amplia as possibilidades de busca de originais.

Segundo o cofundador Arthur Granado, um dos objetivos da Bookstorming é servir como termômetro para o mercado editorial. "Esta tem se mostrado uma das principais vocações do crowdfunding em todo o mundo, e ela é ainda mais importante em plataformas que se concentram em apenas um mercado. Por conhecermos bem os livros e os leitores brasileiros, nos comprometemos sempre com projetos de qualidade. E quem melhor que o leitor para definir se eles devem ou não sair da ideia?"

Primeiro livro

O primeiro projeto da startup já está no ar. Trata-se do livro "Desordem" – uma antologia de contos de sete autores brasileiros que já passaram pela mídia, ganharam prêmios e elogios, mas que – para os editores da Bookstorming – ainda não receberam a devida atenção.

"Acreditamos que este primeiro projeto mostra a força da nossa ideia", afirma Raquel. "Quem pesquisar sobre os autores que buscamos para o livro vai perceber que eles têm tudo a ver com o espírito do financiamento coletivo. São escritores inovadores e ousados, mas ao mesmo tempo maduros. Se até hoje não encontraram o sucesso merecido, é porque ainda não havia um canal pra colocá-los em contato direto com o leitor".

Os autores

– Natércia Pontes: é cearense e mora em São Paulo. Lançou em 2012 o livro de contos Copacabana dreams, pela editora Cosac Naify, que foi finalista do Prêmio Jabuti 2013.

– Paulo Bullar: baiano de 34 anos, publicou em 2002 o livro de contos Húmus pela editora Livros do Mal. Após mais de uma década sem escrever ficção, iniciou o projeto Piratas: ficções históricas, que deve ser concluído em 2015.

– Cristiano Baldi: gaúcho de Caxias do Sul, publicou em 2002 o livro de contos Ou cláviculas, também pela extinta Livros do Mal. Trabalha atualmente em seu primeiro romance.

– Olavo Amaral: nasceu em Porto Alegre e vive no Rio de Janeiro, onde trabalha como pesquisador na área de neurobiologia da memória. É autor dos volumes de contos Estática (IEL-RS, 2006) e Correnteza e escombros (7Letras, 2012), este último, finalista do Prêmio Açorianos 2012.

– Erika Mattos da Veiga: nasceu em Volta Redonda em 1977. Em 2005, morou no Zimbábue, onde escreveu Ressaibo, romance publicado em 2007 pela editora 7Letras. Em 2010, publicou Nona, pela mesma editora.

– Patrick Brock: nasceu no Rio Grande do Sul, cresceu na Bahia e hoje mora em Nova York, de onde escreve para jornais e sites brasileiros. Escreveu dois livros de contos, Velhas fezes (2004) e Textorama (2005), publicados pelo coletivo Edições K, do qual foi um dos fundadores.

– Katherine Funke: nasceu em 1981 em Joinville, Santa Catarina, e mora atualmente na Bahia. Em 2013, teve um conto publicado na antologia Popcorn unterm Zuckerhut, da editora alemã Klaus Wagenbach. Recebeu em 2010 a Bolsa Funarte de Criação Literária pelo inédito Sem pressa e em 2012 a Bolsa Funarte de Interações Estéticas, com a qual finalizou o romance Viagens de Walter (Solisluna, 2013).

Fonte: assessoria de imprensa da Bookstorming

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